terça-feira, 20 de julho de 2010

Um homem só

Imaginem um homem só... e descubram um homem feliz!

Um homem só. Livre como ninguém. Em companhia de folhas, flores e frutos. Plantando e colhendo o seu próprio alimento. Água direto da fonte (do poço). Uma casinha simples, mas acolhedora. Sombreada por uma árvore, a qual ele regue todos os dias. Junto de seus animaizinhos, verdadeiros amigos, não são exigentes e oferecem amor gratuito. Uma estante recheadas de discos e livros. Livros... e não apenas de enfeite, não. Não apenas para guardar poeira, mas, sim, para alimentar a alma mesmo. Imaginem esse homem e descubram um homem feliz. Um homem só... Sem dívidas com os outros. Sem ninguém esperando nada dele. Vivendo por si mesmo. Sem ter de dar satisfações a ninguém. Nem mesmo ter de carregar pesos e desgraças de outras pessoas, já que um homem só. Vivendo por si. Imaginem esse homem e descubram um homem feliz. Um homem que não precise seguir padrões. Nada que seja previamente estabelecido por uma sociedade. Um homem que pense e não tenha que se justificar para ninguém. Imaginem esse homem e descubram um homem feliz!

Um homem só...

domingo, 23 de maio de 2010

Samsa

Que, hoje, sou como Gregor Samsa.
Um estorvo.
Causador do desejo de morte alheia.
Ah, é que ela não vê o quão caro eu pago
E quanto peso eu carrego em minhas costas,
Apenas por ter sido, outrora, uma criança curiosa,
Que se surpreendia com o mundo
Mais do que as outras – e ainda se surpreende!

Que, hoje, meu mundo se resume em meu quarto.
Ah, a porta sempre fechada!
Para qual eu olho, olho, olho...
Pois um dos meus eus é confiante, é esperançoso – um tolo!
Mas o eu que aqui escreve
Sabe que naquela porta ninguém nunca mais baterá.

Ah, se ela entendesse!
Ah, se ela compartilhasse de meu mundo!
Se ela me visse somente por dentro!
Se ela percebesse que, apesar dos livros,
Ainda sou a mesma criança de anos atrás...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Eu também já acendi o fósforo e o joguei no copo de café
Acreditando, inocente, que veria alguma coisa
Que não fosse manchas pretas no meu futuro.
Mas isso já foi.
Foi quando a esperança ainda sorria pra mim.
Quer dizer, ela ria de mim, mas eu não percebia.
E eu, tolo, olhando pra aquele copo de café arriscava diferentes futuros
Quais, confesso, errei todos.
Pois nada que eu imaginei eu merecia.
Mas o tempo passou.
Os anos passaram pra mim como passaram pra todo mundo.
Comi vários bolos.
E ainda estou aqui, vivendo.
Então, quero mais é que se foda mesmo.

Sobre mim e o tempo

O tempo não passa para mim.
Eu não tenho noção de tempo.
Estou escrevendo aqui agora,
Mas quando, daqui a anos,
Eu ler parecerá que foi ontem...

E daí se já se passaram anos!?
Ainda me faz sofrer.
O amanhã que me espera
É só o reflexo do hoje
E isso já há anos.

Gente parte,
Gente morre,
O mundo acaba
E eu continuo chorando
Pelas mesmas desgraças.
As mesmas!

Então, o que me importa o tempo?
O que é o tempo?
Não importa!
O que me importa é o que sinto.
E só.
Eu só.

Eu poderia dizer que preciso de um tempo,
Mas eu dizer isso?
Não.
Não eu.

Eu não queria que fosse assim.
Traga-me alguma novidade,
Mesmo que dolorosa,
Mas que prenda a minha atenção.
E que me liberte um pouco do que sou.

Se a vida tem mesmo que ser assim,
Assim eu não quero.
A morte é um beijo.
E o que fica – quando fica – a vida eterna.
Se eu me jogar daquela pedra
Rumo ao mar e a outras pedras
Será que encontrarei toda a inspiração
Que, em terra, não encontrei?
O que sentirei? Como será voar?
O vento me dirá tudo o que,
Com palavras, ninguém disse.
E eu escreverei todas as minhas sensações
Num pedacinho qualquer de papel.
Poemas, frases jamais feitas.
E, no fim, quem sabe eu morra,
Mas isso é o que menos importa.
Se morro, nada perco, pois nada tenho.
Deixo o tudo que me restava
Aos que ficam
Para que se lembrem sempre
Daquilo que fui ou
Daquilo que serei então.

Gustavo Toledo/Larissa Monteiro

terça-feira, 23 de março de 2010

Seu gosto

Esta minha vida, tão longe de ser perfeita,
Mas por nenhuma outra eu a trocaria.
Prefiro alimentar toda minha dor, como tenho feito
Durante todo eterno tic-tac de cada dia.

Se eu não tivesse um coração,
O amor me trairia?
Sei que não, então,
De que a vida valeria?

Não existiria beleza, pois
Com esse amor eu não viveria.
E, como de olho vendado,
O amor por mim passaria
Sem sequer ser notado...

O amor compensa a dor,
O teu sorriso compensa a flor
Pela que paguei aquele dia.

A tua beleza, meu amor,
É digna duma fotografia
Que eu me contente em só olhar,
- Salivar -
Sabendo que você teria
Gosto do que me sacia.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Estrada do meu destino

Amo-te pelo que és.
Majestoso é poder sonhar
Ao teu lado, a te sentir.
Nos teus braços eu me deitar,
Dividir as minhas alegrias,
A minha vida eu te entregar.

Brilhante luz da lua
Refletindo o nosso amor.
Entrelaçam-se duas almas.
Nata da minha vida,
Darei a ti tudo
Aquilo que eu puder dar.

Habita hoje em mim
Estupendo amor já conhecido.
Relíquia divina
Guardada em meu peito.
Estrada do meu destino
Sempre me levou a ti.
E, hoje, a ti eu tenho,
Linda, o que eu sempre quis.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

The beaultiful end

I put an end to me
With the open arms
And a poem in my hand
I felt the wind in my face
Accelarating my heart
I think I don’t know who am
I think like this I met
Then I smiled for me same
Already so close to the ground
I went my soul at to hover
On everything that I saw
How soothing is to feel the end beat
And to let him enter
Knowing that all pains
He will bury

Assalariado

Eu não falo inglês
Não uso perfume francês
Trabalho das oito às seis
E nada mais eu sei

Minha vida era assim
Continua assim
Eu não vejo um fim
Mas sim

Brindo à monotonia
Dia após dia
Digo que só mais um dia
E eu não agüentaria

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Minha memória

Quase sempre – senão sempre –
pego-me pensando em seu rosto,
o qual tanto tempo
faz que não vejo.

Tempo, muito tempo.
Suficiente para dar à luz
todas as saudades,
as quais cativo e alimento –
minhas filhas.
Mas nunca suficiente
para fazer-me esquecer
sequer um detalhe.
Como um entalhe
em minha memória.

Noite passa,
noite pára.
Manhã clara?
Nem sempre,
quando ás vezes
morta brasa.
Enquanto o tempo passa
eu me apego ao meu passado.
Penso,
relembro situações.
Com tanta inocência,
usando o meu passado
faço planos para o futuro,
que é tão incerto,
então.

Se acaso ela volte,
que me permita os beijos,
os quais guardara
em sua caixa de Pandora.
Se eu lhe encontro,
encontro em outro tempo.
E o meu tempo é
o que sempre quis eu
lhe dar.
Desculpas já não aceito mais.
E aqueles beijos que ela
guardara e escondera de mim,
guardara para um dia lembrar
e escondera porque lhe era precioso.
Que assim seja,
então.